A inteligência artificial já entrou nos processos de recrutamento das empresas brasileiras, mas a confiança ainda não acompanha o avanço da tecnologia. Um levantamento do Indeed, que ouviu 1.014 trabalhadores no país, mostra uma relação marcada por uma espécie de aceitação condicional: os candidatos reconhecem o potencial da IA, mas resistem à ideia de deixar decisões sobre suas carreiras exclusivamente nas mãos de algoritmos.
Segundo a pesquisa, 57% dos entrevistados são favoráveis ao uso de inteligência artificial em processos seletivos. Ao mesmo tempo, 44% temem ser eliminados automaticamente sem passar por uma avaliação justa.
O cenário cria uma questão central para empresas que estão incorporando IA ao recrutamento: como ganhar velocidade e escala sem transformar a seleção em uma experiência impessoal, pouco transparente ou excessivamente dependente de filtros automáticos?
É justamente nessa interseção entre automação, avaliação e experiência do candidato que novas soluções de tecnologia para recursos humanos começam a ganhar espaço.
Aceitação existe, mas a confiança tem limites
A pesquisa mostra que a resistência dos candidatos não está necessariamente relacionada à presença da inteligência artificial. O problema aparece quando a tecnologia passa a ter autonomia demais sobre decisões que afetam diretamente a trajetória profissional.
Além dos 44% que temem uma eliminação automática e injusta, 37% dos entrevistados demonstram preocupação com possíveis erros na avaliação de qualificações. Outros 42% se incomodam com a redução do contato humano durante o processo seletivo.
A transparência também aparece como fator relevante. Segundo o levantamento, 41% gostariam que as empresas deixassem claro quais etapas são conduzidas por IA e quais permanecem sob responsabilidade de recrutadores, enquanto 34% querem entender como a tecnologia é utilizada em cada fase.
Na mesma direção, reportagem da CartaCapital sobre o levantamento aponta que 50% dos entrevistados confiariam mais em um processo seletivo se soubessem que a decisão final de contratação tivesse participação humana. O dado reforça que a questão não é simplesmente aceitar ou rejeitar a IA, mas estabelecer limites claros para sua atuação.
O problema não é usar IA. É como usar
A diferença fica ainda mais evidente quando se observa o grau de autonomia desejado pelos candidatos.
Apenas 24% dos entrevistados entendem que a IA não deveria participar de nenhuma etapa do processo seletivo. Isso significa que 76% aceitam algum nível de utilização da tecnologia, principalmente em atividades operacionais, como organização de currículos e agendamento de entrevistas.
Quando a tecnologia passa para a decisão final, entretanto, a aceitação cai drasticamente: apenas 6% consideram que a IA deveria decidir quem será ou não contratado.
O resultado aponta para uma oportunidade específica. Em vez de substituir o recrutador, a tecnologia pode assumir uma parcela cada vez maior do trabalho operacional e analítico, enquanto as decisões que exigem contexto permanecem sob responsabilidade das pessoas.
Essa mudança de perspectiva também aparece na avaliação de Lucas Rizzardo, diretor de vendas do Indeed no Brasil, citado pela CartaCapital. Segundo ele, eficiência, sozinha, já não é suficiente para conquistar a confiança dos trabalhadores; à medida que a IA avança, cresce também a expectativa por processos mais transparentes.
É nesse espaço que a AnnyIA atua
A AnnyIA, empresa de tecnologia para recrutamento e seleção, desenvolve uma plataforma que leva a inteligência artificial para diferentes etapas da jornada de contratação.
A proposta vai além de simplesmente filtrar currículos. A tecnologia pode atuar na publicação da vaga, busca ativa de candidatos, triagem, condução de entrevistas e organização dos resultados. A empresa também trabalha com recursos de avaliação padronizada, relatórios por candidato e ranking baseado no desempenho observado durante o processo.
A lógica é transformar o recrutamento em um fluxo mais contínuo e estruturado, reduzindo a quantidade de trabalho manual sem transferir automaticamente para a máquina a responsabilidade pela contratação.
Esse posicionamento ganha relevância justamente diante dos receios apontados pelo levantamento do Indeed. Se 44% dos candidatos temem ser eliminados antes de uma avaliação justa, ampliar a análise para além de filtros rígidos de currículo passa a ser uma questão importante para o desenvolvimento de ferramentas de recrutamento baseadas em IA.
A AnnyIA também vem tratando a questão do viés como parte do desenvolvimento de sua tecnologia. Em conteúdos publicados pela empresa, a startup aborda o risco de filtros automatizados eliminarem candidatos qualificados e discute como a inteligência artificial pode ser utilizada para tornar o processo mais estruturado sem transformar a seleção em uma decisão exclusivamente algorítmica.
Da triagem para uma jornada mais completa
A evolução do produto acompanha uma transformação no próprio mercado de tecnologia para recursos humanos.
Durante anos, boa parte das ferramentas digitais de recrutamento esteve concentrada na organização de currículos, divulgação de vagas e acompanhamento das etapas do processo. Com os avanços dos modelos de inteligência artificial, essas plataformas passaram a assumir funções mais próximas da execução.
A AnnyIA se posiciona nessa mudança.
Em conteúdos publicados em seu blog, a empresa aborda a evolução de sistemas tradicionais de atendimento para agentes de IA capazes de executar tarefas dentro dos processos seletivos. O conceito é utilizar a tecnologia para participar de diferentes momentos da jornada, reduzindo o intervalo entre a abertura de uma vaga e a identificação dos candidatos mais aderentes.
A companhia também trabalha com a integração de triagem, entrevistas e avaliação em uma mesma jornada, em vez de tratar cada etapa como uma ferramenta isolada.
É uma diferença importante em um mercado no qual o ganho de eficiência não depende apenas de automatizar uma tarefa, mas de reduzir os intervalos entre elas.
Eficiência sem perder o fator humano
O debate sobre IA no recrutamento também passa pela experiência do candidato.
Levantamento divulgado pelo Inforchannel mostra que candidatos submetidos a entrevistas conduzidas diretamente por sistemas de IA relatam baixa confiança, sensação de desvalorização e dificuldade para se expressar diante de uma máquina. Ao mesmo tempo, uma parcela relevante reconhece que esse formato pode ser mais rápido que os modelos tradicionais.
A contradição resume o desafio do setor: as pessoas querem processos mais rápidos, mas não querem sentir que foram reduzidas a um conjunto de dados.
Para a AnnyIA, a resposta passa por utilizar a inteligência artificial para aumentar a capacidade operacional do recrutamento, e não simplesmente eliminar a participação humana.
A plataforma conduz etapas que tradicionalmente consomem horas de trabalho de recrutadores e organiza os resultados para que a equipe possa concentrar sua atenção nos candidatos mais aderentes.
Nesse modelo, a escala fica com a tecnologia. A decisão continua sendo uma responsabilidade empresarial.
O risco dos filtros automáticos
A preocupação com vieses torna esse equilíbrio ainda mais importante.
Sistemas de inteligência artificial podem reproduzir padrões presentes nos dados utilizados para seu desenvolvimento. Quando aplicados ao recrutamento, esses padrões podem transformar desigualdades históricas do mercado de trabalho em filtros automatizados.
Reportagens da Exame citadas no levantamento também abordam os riscos de discriminação algorítmica e os desafios regulatórios relacionados ao uso de IA em decisões profissionais. A questão não se limita aos algoritmos: até mesmo a linguagem utilizada nos anúncios de vagas pode influenciar quem decide se candidatar. Um levantamento do LinkedIn citado pela publicação apontou que quase metade das mulheres se sentiria desencorajada por anúncios que utilizassem termos associados a estereótipos masculinos, como "agressivo".
Nesse cenário, automatizar não significa necessariamente tornar o processo mais justo.
A tecnologia precisa ser desenhada para ampliar a qualidade da avaliação, reduzir filtros arbitrários e preservar transparência sobre os critérios utilizados.
É uma das frentes em que a AnnyIA vem concentrando sua atuação. A empresa aborda em seu conteúdo temas como recrutamento sem viés e os riscos de filtros automáticos eliminarem talentos antes mesmo da entrevista.
Um mercado que já não discute se a IA vai chegar
Do lado das empresas, a adoção também avança.
Reportagem da Exame citada no material mostra que uma parcela relevante das companhias brasileiras já utiliza ferramentas de triagem automatizada. Para as organizações, a motivação é objetiva: reduzir o tempo gasto em tarefas burocráticas e aumentar a capacidade de analisar candidatos.
O problema surge quando a eficiência da empresa acontece às custas da experiência do candidato.
Um currículo que não conversa adequadamente com os critérios de um sistema automatizado pode ser eliminado antes de chegar ao recrutador, mesmo quando o profissional possui as competências necessárias. Esse é exatamente o tipo de situação que ajuda a explicar os 44% de entrevistados que temem uma eliminação injusta.
A AnnyIA parte de uma lógica diferente: ampliar a análise para além do currículo e levar a avaliação para a entrevista e para o desempenho apresentado pelo candidato.
Em vez de fazer do currículo o ponto final da avaliação inicial, a tecnologia busca transformá-lo em uma porta de entrada para uma análise mais ampla.
O desafio é transformar automação em infraestrutura
Os dados mostram que o mercado não está diante de uma escolha simples entre recrutamento humano e recrutamento automatizado.
A tendência é uma combinação dos dois.
Os 76% que aceitam algum nível de uso da IA mostram que existe espaço para automação. Os apenas 6% que defendem que a tecnologia decida quem deve ser contratado mostram onde está o limite dessa aceitação.
A AnnyIA está posicionada justamente nessa faixa de transformação. A empresa não apresenta a inteligência artificial apenas como uma ferramenta para acelerar uma etapa específica, mas como uma camada operacional capaz de participar de diferentes momentos da jornada de recrutamento.
Esse posicionamento acompanha a evolução da própria companhia, que vem ampliando sua presença em ambientes de inovação e desenvolvimento de negócios e aprofundando sua atuação no mercado de tecnologia para recursos humanos.
A movimentação também inclui aproximações com ecossistemas corporativos de inovação, como o Hub da PwC Agtech Innovation, em uma estratégia de construção de conexões com empresas e ambientes capazes de ampliar o desenvolvimento do negócio.
Mais do que acompanhar a discussão sobre inteligência artificial no RH, a AnnyIA está construindo sua posição em um mercado que começa a exigir uma combinação mais sofisticada: velocidade para as empresas, escala para os recrutadores e uma experiência de seleção que continue fazendo sentido para quem está do outro lado da tela.
A próxima fase da IA no recrutamento tende a ser menos sobre substituir pessoas e mais sobre redesenhar o trabalho que existe entre uma vaga aberta e uma contratação. É nesse espaço que empresas como a AnnyIA começam a disputar uma posição mais estrutural dentro do mercado de tecnologia para recursos humanos.
Fontes consultadas
- Exame — "57% aceitam IA no recrutamento, mas 44% temem eliminação injusta"
- CartaCapital — "Confiança vira maior obstáculo da IA nos processos seletivos de empresas, mostra pesquisa"
- Jornal Empresas & Negócios — "Confiança se torna principal desafio da IA no recrutamento"
- Exame — "37% das empresas usam IA no recrutamento"
- Exame — "A tecnologia ajuda ou prejudica a diversidade?"
- Exame — "Os principais desafios legais no uso de IA no recrutamento"
- Inforchannel — "Candidatos veem IA como injusta e desumanizante nos processos seletivos"